terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

INCERTEZA


JU

Fecho os olhos tentando
dissecar teus pensamentos
por onde andam teus lamentos
minh'alma quer advinhar

Se falo não me entendes
meu coração dilacerado
sente-se abandonado
imerso na solidão

Minhas mãos tentam te alcançar
mas a tua distância
aumenta a cada dia
esta ferida
da minh'alma
esquecida
incompreendida.
não quer cicatrizar

Quisera sentir
teu amor retornar
a me buscar
a me desejar
a me procurar

Quisera novamente
em você me encontrar
e meu navio
errante finalmente aportar.

sábado, 19 de Dezembro de 2009

NA CATEDRAL DO MEU CORPO

JU
Quero sentir teu corpo roçando no meu
na silêncio desta catedral
tuas orações são ouvidas
como um clamor

Em meus devaneios
Escuto teus passos
lentamente
caminhando ao centro
do meu coração

Quero sentir teu respirar
dentro em mim
embora teus suspiros
não sejam para mim

Quero sentir o rodopio
dos vendavais
e furacões
levando junto minhas emoções

Meu corpo se contorce
buscando teu toque
meu templo
perde-se no tempo
querendo esquecer
o barulho dos teus passos
que caminham em outra direção
Tento esquecer o barulho da tua voz
que chama a outras e não a mim
Tento esquecer o brilho dos teus olhos
que buscam a outras e não a mim

Quero esquecer teu sentimento
que procura outras
e não a mim.

Lentamente...
meu corpo se esvazia
e deita
querendo quedar-se
ali....

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

SAUDADE


JU

Sinto sua falta
até onde a vista consiga alcançar

Sinto sua falta
até onde a águia consegue voar

Sinto sua falta
em cada barulho do mar

Sinto sua falta
do nascer ao por do sol

Sinto sua falta
a cada estrela nascente

Sinto sua falta
a cada luar
banhando a face do mar

Sinto sua falta
por onde ando
corro
dirijo
voo.

Sinto falta
do seu olhar
querendo penetrar meu pensamento

Sinto falta
do seu toque
a cada anoitecer

Sinto falta
do seu respirar
a cada amanhecer

Sinto falta de você
simplesmente
por sentir.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

ABRAÇOS PARTIDOS


JU

Filme de Almodóvar. Como sempre, colorido. Como sempre trágico. Fala do amor e do desamor. Do desespero da perda e do achado. Da dor do encontro e do desencontro. De amores escondidos e de amores nunca confessados.
Uma jovem só, com seu pai morrendo de câncer, vale-se do dinheiro e do poder do seu chefe para amenizar a falta de dinheiro. Fica com ele, mas sem amor. Mais tarde, encontra um diretor de cinema por quem se apaixona, e tem um caso.
O seu mentor, amante, marido? desesperadamente luta para não perdê-la e se sujeitaria a qualquer coisa contanto que pudesse tê-la junto dele. Claro que o arranjo entre os dois não conseguiria ter êxito.
Quando não se ama mais, qualquer vírgula é um pretexto para a briga, para a desconfiança, para a intolerância.
Os vilões deste relacionamento se instalam aos poucos: a desconfiança, a vigilância, a vontade de impor a presença por obrigação.
Quando o amor precisa ser obrigado, não consegue ser amor.
Querer alguém com você somente porque você está constantemente de guarda para que o outro não fuja, não funciona. A liberdade é o chão do amor, já dizia Helio Pellegrino.
Quando se ama, descansa-se no amor do outro, na sua fidelidade. O amor não precisa ser vigiado. Ele volta sempre para seu lugar de pertencimento.
Dinheiro pode comprar a prostituta, mas não compra o amor. O amor se conquista, se cultiva para que não se vá.
O amor dos protagonistas desta história foi intenso e marcante. Custou um preço alto aos dois, mas produziu beleza.
Vale a pena conferir.

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO


JU

O filme começa com um senhor em uma casa de repouso se voluntariando para ler para uma senhora que aparentemente está com Alzheimer. A voz do leitor do diário narra a história de dois jovens que se conhecem no verão e se apaixonam. Porém, há uma desigualdade social. Os pais da jovem forçam-na a ir embora antes do tempo. Ele lhe escreve uma carta durante os 365 dias do ano, mas sua mãe esconde todas.
Anos depois, ela encontra um jovem com quem fica noiva. Enquanto isto, ele constrói uma casa nos moldes que a mocinha um dia havia idealizado e não consegue se apaixonar por mais ninguém. Ao experimentar seu vestido de noiva, a jovem vê a face do rapaz diante da casa e desmaia. Ela parte ao encontro dele e passam dias maravilhosos juntos, para concretizar o que não conseguiram durante o verão.
Chega o momento da grande decisão: ficar com o noivo, ou com o grande amor da sua juventude. Ela opta pelo último.
O leitor não é nada mais nada menos que o jovem da história, lendo para sua amada que agora encontra-se com Alzheimer.
Ela lhe pedira que lesse o diário para que ela se lembrasse dele nos espaços de lucidez que viesse a ter no futuro.
Quando um dos seus filhos lhe chama de volta para casa, ele replica: That's my sweetheart out there. Traduzindo: Esta que vai ali é minha querida.
Em tempos quando os amores são tão líquidos, efêmeros, de curto prazo, um amor que luta contra Alzheimer, contra a separação, deveria ser mais contado.
Em tempos líquidos de egoísmo, de busca de auto prazer e auto satisfação, um amor que luta contra a separação deveria ser mostrado.
Em dado momento ela pergunta: será que nosso amor pode fazer com que partamos juntos?
ao que ele replica: nosso amor pode tudo.
Como seria bom que todo amor pudesse tudo, e que o amor como o deles, realmente existisse.

TORMENTO


JU

O que fazer com esse amor
alado
atormentado
que se encontra
guardado
engasgado
sufocado
dentro de mim?

O que fazer quando tudo em volta
atormenta
aperta
sufoca
e enforca
este coração?

Sentir o amor
tão longe
inalcançavel
inatingível
inacessível
como chão
cravado
esmagado
aprisionado
sem conseguir
dar vazão

ah, ingrato coração
não faz assim comigo não
deixa me sair ileso
desta situação

Pobre coração
trincado
que perambula à procura
do seu dono
que no abandono
deixou esta dona
enlouquecida

pelo mundo
esquecida
que não soube
dar conta
de sua emoção.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

SOL E MAR


JU

Muitas vezes, quando confrontada com a natureza, a primeira pergunta que vem à minha mente é: Por que, com um mundo tão belo à sua frente, o ser humano encarrega-se de corrompê-lo. O mundo e sua beleza é corrompido pelos assaltos, pelos roubos, pelos assassinatos, pelo desmatamento, pelos dejetos químicos jogados nos rios das grandes cidades, pelas fossas jogadas nos mares de grandes cidades sem consciência ecológica nenhuma. Estas são todas fontes externas de deterioramento da natureza.

Contudo, também corrompe-se a beleza do mundo com atos internos. Como pode o ser humano guardar dentro de si tanta maldade. Deteriora-se a beleza do mundo com traições, com palavras ásperas em direção ao outro, com ingratidão, com falta de amor, com egoísmo.

Da janela do meu quarto agora contemplo o mar. As ondas brancas invadem a areia suavemente, no seu movimento do vaievém mansamente embalam o sono de muitos com seu som relaxante. Não consigo dormir, nem contemplar a pureza de sua água, lágrimas caem sobre minha face diante da maldade, do egoísmo, da aspereza e da ingratidão do ser humano. Deixo-me levar pela tristeza que invade minh'alma.Quão belo é o mar, quão saudável é o sol, o roçar do vento na pele....
A tristeza impera, e a beleza do mar vai suavemente se esvaindo diante do embaçado das minhas lágrimas.

Quão triste que o ser humano consiga destruir externa e internamente a beleza do mundo que Deus lhe deu!